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Copo meio cheio, copo meio vazio: o que a classificação do Palmeiras ensina a Abel Ferreira

Copo meio cheio, copo meio vazio: o que a classificação do Palmeiras ensina a Abel Ferreira

O Palmeiras está na final da Libertadores. De novo. E, como quase sempre na era Abel Ferreira, chegou lá com o coração na boca, sofrendo, dependendo de um pênalti defendido por um goleiro de 2,04m e de uma frieza coletiva que beira o inacreditável. A classificação sobre o Fluminense, nos pênaltis, depois de perder por 1 a 0 no tempo normal no Nubank Parque, é o retrato perfeito desse time: capaz de resistir a qualquer pressão mental, mas também de transformar o que deveria ser um jogo controlado em um drama desnecessário. O Abel Ferreira Palmeiras final Libertadores virou rotina.

Esta é a quarta decisão do português à frente do clube, igualando Felipão como treinador de time brasileiro com mais finais do torneio. É um número de respeito, inegável. Mas o torcedor palmeirense que foi ao estádio neste domingo não saiu de lá pensando em recordes. Saiu pensando no quanto esse time gosta de se complicar. E aí mora o ponto central desta análise: a força mental que salvou o Palmeiras contra a LDU e agora contra o Fluminense convive com um pragmatismo que, em certos momentos, beira a passividade. E essa convivência, que já custou uma final em 2025, vai definir se o tetra vem ou não.

A classificação nos pênaltis: um retrato da era Abel

O roteiro contra o Fluminense foi quase um déjà-vu. O Palmeiras tinha a vantagem do jogo de ida, 2 a 1 no Maracanã, e administrava. Não com brilho, mas com aquele controle típico de time que sabe o que precisa fazer. Só que futebol não é matemática, e o Hércules apareceu aos 37 minutos do segundo tempo para levar a decisão para os pênaltis. De repente, o time que tinha tudo sob controle estava de novo na loteria.

E na loteria, o Palmeiras de Abel é duro de matar. Maurício, Sosa, Gustavo Gómez, Piquerez e Marlon Freitas converteram. Do outro lado, Carlos Miguel defendeu a cobrança de Nonato. Não é a primeira vez que o goleiro aparece nesse tipo de situação. Contra a LDU, nas quartas, em Quito, já tinha sido assim: outro drama, outra disputa por pênaltis, outra classificação. Duas decisões por pênaltis em uma mesma campanha de Libertadores não é sorte. É uma mistura de preparo emocional, treino e, claro, um goleiro grande de verdade, no sentido literal e figurado.

A força mental desse elenco é, talvez, a maior virtude do trabalho de Abel. Time que não trema em pênalti, que não se desespera quando o placar aperta, que sabe sofrer. Isso não se compra em mercado. Se constrói. E se o Palmeiras quer garantir que a semifinal tenha aquele gostinho de decisão brasileira, vale lembrar que a Libertadores 2026 pode ter semifinal 100% brasileira com Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Corinthians? A resposta passa por noites como essa.

O pragmatismo de Abel Ferreira: virtudes e limites

Aqui entra o outro lado da moeda. O pragmatismo de Abel Ferreira é conhecido: solidez defensiva, transições rápidas, gestão de resultado. Quando funciona, é uma máquina. Foi assim em 2020 e 2021, nas Libertadores conquistadas. Foi assim também na semifinal de 2021 contra o Atlético-MG: empate por 0 a 0 em casa, 1 a 1 na volta, e a vaga veio pelo critério do gol fora. Naquele momento, a postura cautelosa foi cirúrgica. O time não se expôs, segurou o ímpeto mineiro e avançou. Pragmatismo no seu melhor.

Só que existe uma linha tênue entre segurança e passividade. E o Palmeiras de Abel já cruzou essa linha algumas vezes. Na Copa do Brasil de 2024, contra o Flamengo, nas oitavas: derrota por 2 a 0 no Maracanã, e na volta o time não conseguiu reverter. Faltou ousadia, faltou alternativa quando o plano inicial não funcionou. O mesmo padrão apareceu na final de 2025. E é aí que a conversa fica séria.

A final de 2025 contra o Flamengo: o custo do pragmatismo

Aquela final contra o Flamengo, em 2025, deveria ser o espelho que Abel usa para não repetir o erro. O Palmeiras perdeu por 1 a 0 e, o dado mais gritante, não finalizou no alvo durante os 90 minutos. Zero. Um time com investimento superior a R$ 1 bilhão, com um elenco recheado de talento, não conseguiu acertar o gol em uma final de Libertadores. Isso não é só mérito do adversário. É sintoma de um time que recua demais, que prioriza não perder a ousar, que espera o momento perfeito que nunca chega.

Naquele jogo, o Palmeiras não conseguiu transformar controle em perigo real. Quando o Flamengo apertou, o time se encolheu. E quando precisou reagir, não tinha um plano B claro. A lição para a final é óbvia: se repetir esse roteiro, o tetra fica para depois. De novo.

O que a classificação sobre o Fluminense ensina para a final

O lado bom é que esse time sabe sofrer. E em mata-mata, resiliência é arma. O Palmeiras passou por duas disputas de pênaltis nesta campanha e não tremeu em nenhuma. Isso mostra um grupo maduro, que não se abala com pressão. Detalhes como a defesa de Carlos Miguel, as cobranças certeiras, a capacidade de jogar mal e vencer, tudo isso conta a favor em uma final.

Mas depender de atuação heroica de goleiro é perigoso. Carlos Miguel é um paredão de 2,04m e tem sido decisivo, mas não dá para apostar todas as fichas em milagres. A final precisa de imposição de ritmo desde o início. O Palmeiras não pode entrar em campo pensando em administrar. Precisa atacar, criar, finalizar. Se ficar naquela postura de esperar o adversário, o risco de repetir 2025 é real. E aí não adianta ter defesa de pênalti se a bola aérea continua falhando: são 7 passos para corrigir o problema antes da final da Libertadores que o Abel precisa encarar de frente.

Copo meio cheio: os argumentos a favor do modelo de Abel

Vamos ser justos. O modelo de Abel Ferreira tem virtudes que explicam quatro finais de Libertadores. Primeiro, a consistência em competições eliminatórias: o Palmeiras raramente cai cedo. Segundo, a gestão de elenco. Abel consegue motivar o grupo, rodar o time e manter todos engajados. Terceiro, a adaptação: o time sabe jogar com posse ou sem ela, dependendo do adversário. E quarto, a experiência acumulada. Esse elenco já disputou finais, já sofreu, já venceu. Sabe o que fazer nos momentos decisivos.

É um pacote que qualquer treinador no Brasil inveja. E é por isso que a discussão sobre pragmatismo não é sobre demitir ou crucificar Abel. É sobre calibrar.

Copo meio vazio: os riscos que podem custar o tetra

O outro lado é que o Palmeiras tem uma tendência clara a recuar após abrir vantagem. Isso convida o adversário a pressionar. E contra times de qualidade, essa pressão vira gol. Além disso, o time tem dificuldade em criar chances claras contra defesas fechadas. Depende muito de individualidades para resolver jogos truncados. E a pressão de conquistar o tetra é enorme. Se o Palmeiras entrar na final com a mesma postura da decisão de 2025, o risco de novo vice é alto.

A era Abel Ferreira Palmeiras final Libertadores já provou que sabe chegar. Agora, a pergunta é se sabe vencer sem se sabotar. O copo está meio cheio de resiliência e meio vazio de ousadia. E o que vai definir o tetra é justamente o equilíbrio entre esses dois copos. Quem quiser acompanhar a cobertura completa do torneio, a TV Copa tem a agenda e os bastidores da decisão.

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Perguntas frequentes

Como foi a classificação do Palmeiras contra o Fluminense nos pênaltis?
O Palmeiras venceu o Fluminense nos pênaltis após empate no tempo normal, com destaque para as defesas de Carlos Miguel e a frieza dos cobradores.
Qual a importância de Abel Ferreira para o Palmeiras na Libertadores?
Abel Ferreira é o treinador que mais vezes levou o Palmeiras longe na Libertadores, com títulos e campanhas consistentes, graças ao seu estilo pragmático e à forte gestão de grupo.
O que aconteceu na final da Libertadores de 2025 entre Palmeiras e Flamengo?
O Palmeiras foi derrotado pelo Flamengo na final de 2025, em partida marcada por um recuo excessivo do time alviverde após abrir vantagem, o que permitiu a virada rubro-negra.
Quem é Carlos Miguel e qual sua importância nas disputas de pênaltis?
Carlos Miguel é o goleiro reserva do Palmeiras que se destacou em disputas de pênaltis, com defesas decisivas contra LDU e Fluminense, mostrando segurança e reflexos apurados.
O que o Palmeiras precisa fazer para vencer a final em Montevidéu?
O Palmeiras precisa manter a solidez defensiva, mas adotar uma postura mais ousada e eficiente no ataque, evitando recuos excessivos e buscando o gol a todo momento.

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