Resenha Esportiva
Esportes

Tuchel fez uma besteira maior do que Southgate? Inglaterra eliminada na Copa 2026 expõe padrão de fracasso

Tuchel fez uma besteira maior do que Southgate? Inglaterra eliminada na Copa 2026 expõe padrão de fracasso

Inglaterra eliminada em semifinal de Copa: Tuchel repete erro de Southgate e Carragher detona

Inglaterra eliminada em uma semifinal de Copa do Mundo. De novo. E o roteiro é tão repetido que já dá para decorar: sai na frente, toma sufoco, recua, toma virada, volta pra casa. Dessa vez, a vítima foi a Argentina, em uma semifinal que deveria ser o palco da redenção inglesa. Mas não. Thomas Tuchel, contratado para evitar repetição de erros, fez exatamente o que Gareth Southgate fez no passado: colocou o time na retranca depois de sair na frente e viu o jogo escorrer pelos dedos. E agora, a pergunta que não quer calar: Tuchel fez uma besteira maior do que Southgate?

A resposta, baseada nos fatos, é um sonoro SIM. E não sou eu quem diz. É Jamie Carragher. O ex-zagueiro e hoje comentarista detonou o alemão em uma coluna no The Telegraph com um título arrasador: "Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez". E os números da semifinal contra a Argentina provam que o problema não é o técnico — é a camisa. É a cultura. É o medo de vencer que assombra a seleção inglesa desde 1966.

1. Tuchel x Southgate: quem errou mais?

Vamos comparar. Southgate, no passado, viu a Inglaterra abrir o placar em semifinais e quartas de final. O que ele fez? Recuou. O time parou de jogar, o adversário cresceu, empatou e virou. Southgate sempre foi acusado de ser conservador demais, de não saber administrar vantagens.

Agora, Tuchel. O cara que ganhou a Champions com o Chelsea em 2021, que foi contratado justamente para ser a "solução" — o técnico que não teria medo de atacar. E o que ele fez na semifinal? Exatamente a mesma besteira. A Inglaterra abriu o placar com Anthony Gordon aos 10 minutos do segundo tempo. Era o momento de pressionar, de matar o jogo. Tuchel, no entanto, entrou em modo "sobrevivência". Aos 27 minutos do segundo tempo, ele tirou Gordon e Reece James para colocar Ezri Konsa e Dan Burn. Dois zagueiros. Em uma semifinal de Copa.

O pior? Tuchel tinha um elenco forte. Ele tinha armas para matar o jogo. E preferiu se esconder. Por isso, sim: o erro de Tuchel foi maior. Ele não tem a desculpa de elenco limitado que Southgate tinha. Para entender o contraste, vale dar uma olhada em como a França lidera o ranking das seleções mais valiosas da Copa 2026 — enquanto a Inglaterra, com cifras astronômicas, patina na hora H.

2. O jogo que expôs tudo: Inglaterra 1x2 Argentina

O jogo expôs a dificuldade da Inglaterra em administrar vantagens. A Argentina dominou a posse de bola desde o início. Mas a Inglaterra, com um contra-ataque mortal, conseguiu abrir o placar. Gordon, aos 10 do segundo tempo, aproveitou um passe e colocou a Inglaterra na frente.

Deveria ser o momento de virada de chave. De confiança. Mas não. O que se viu foi um time que, literalmente, parou de jogar. Entre o gol da Inglaterra e o empate argentino, a Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola. Doze por cento. É um número tão ridículo que parece erro de digitação. Mas é real.

A Argentina, claro, pressionou. E empatou e virou. A Inglaterra não teve forças para reagir. O time que sonhava com o título foi eliminado por um adversário que simplesmente quis mais.

3. As substituições defensivas de Tuchel que custaram a vaga

Aos 27 minutos do segundo tempo, Tuchel fez a substituição que virou símbolo do fracasso. Tirou Gordon (autor do gol) e Reece James (que estava bem), colocou Ezri Konsa e Dan Burn. Dois zagueiros. O time, que já estava recuado, virou uma muralha.

Só que a muralha caiu. A Argentina, com mais liberdade no meio, começou a trocar passes na entrada da área. A Inglaterra perdeu qualquer capacidade de contra-ataque. Sem Gordon, sem velocidade, sem referência ofensiva, o time ficou refém da defesa. E defesa que só se defende, uma hora toma gol.

Carragher foi cirúrgico: "Tuchel repetiu Southgate". E pior: "Tuchel tinha mais recursos ofensivos e mesmo assim recuou". É a prova de que o problema é sistêmico. O técnico pode ser alemão, pode ter DNA ofensivo, mas a camisa da Inglaterra pesa. E pesa para o lado errado.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, o México mostrou como se faz. Na estreia da Copa, como destaca a análise do México com equilíbrio tático e brilho de Quiñones, Lira e Jiménez, o time não se encolheu. Pelo contrário: foi pra cima.

4. O padrão de fracasso da Inglaterra em Copas

Não é de hoje. A Inglaterra é eliminada em semifinais ou quartas de final com o mesmo roteiro: sai na frente, recua, toma virada. Em 2018, contra a Croácia, na prorrogação. Em 2022, contra a França, nos detalhes. E agora, em 2026, contra a Argentina, com 12% de posse.

É uma cultura de "medo de vencer". Os jogadores ingleses crescem na Premier League, a liga mais competitiva do mundo, onde times como Manchester City e Liverpool atacam até o apito final. Mas quando vestem a camisa da seleção, parece que um interruptor desliga. Eles se encolhem. Ficam preocupados em não perder, em vez de ganhar.

A FA (Football Association) já trocou de técnico: Capello, Hodgson, Southgate, Tuchel. O resultado é o mesmo. O problema não é o homem no banco. É a mentalidade. É a pressão da mídia. É a torcida que, em vez de empurrar, gera ansiedade. É a história de 60 anos sem títulos que vira uma sombra.

5. 12% de posse de bola: um recorde negativo

Vamos aos números. Entre o gol de Gordon (10 min do 2º tempo) e o empate argentino, a Inglaterra teve 12% de posse de bola. Isso significa que, em 25 minutos, o time tocou na bola por apenas 3 minutos. O resto foi correr atrás.

Para efeito de comparação, a pior posse de bola da Inglaterra em jogos de mata-mata de Copa até então era de 35%, contra a Croácia em 2018. Agora, o recorde é ainda mais negativo. E não é porque a Argentina é uma máquina de posse. É porque a Inglaterra abdicou de jogar.

Nesse período, a Argentina finalizou muitas vezes. A Inglaterra, poucas. É um time que desistiu de atacar. Que preferiu se defender desorganizadamente. E, como diria um velho sábio do futebol, "quem não faz, leva".

6. Carragher detona Tuchel: 'pior que Southgate'

Jamie Carragher não é de meias palavras. Na coluna do The Telegraph, ele escreveu: "Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez". E explicou: "Entre o gol da Inglaterra e o empate da Argentina, ficamos com apenas 12% de posse de bola. Não dá para entrar em modo de sobrevivência tão cedo e esperar que as probabilidades estejam a nosso favor."

Carragher ainda cutucou: "Southgate ao menos tinha desculpa de elenco limitado. Tuchel não. Ele tinha um elenco forte. E escolheu recuar." A crítica é justa. Tuchel foi contratado para ser a antítese de Southgate, para trazer ousadia. E, no momento decisivo, virou o próprio Southgate.

7. O problema é cultural, não técnico

A troca de técnicos não resolve. É like trocar o pneu de um carro que está com o motor fundido. A Inglaterra precisa de uma revolução cultural. Precisa de jogadores que, ao vestir a camisa, sintam orgulho, não medo. Que ataquem como atacam em seus clubes. Que não se encolham diante de um placar favorável.

A Premier League é a vitrine do futebol mundial. Mas a seleção inglesa é a antítese disso: medrosa, burocrática, previsível. Enquanto não houver uma mudança de mentalidade — desde as categorias de base até a imprensa —, a Inglaterra continuará sendo a "eterna promessa".

E, convenhamos: 1966 foi há 60 anos. Não dá mais para esperar.

Como aponta a TV Copa, a diferença entre seleções que vencem e as que fracassam muitas vezes está entre os ouvidos, não entre os pés.


Leia também

Perguntas frequentes

Tuchel realmente errou mais que Southgate?

Sim. Tuchel tinha um elenco forte e um histórico de ousadia no Chelsea. Mas, na semifinal, repetiu o erro de Southgate: recuou após sair na frente. A diferença é que Southgate tinha desculpas (elenco limitado). Tuchel, não. Por isso, o erro dele é considerado maior.

Por que a Inglaterra sempre fracassa em Copas?

O problema é cultural. A pressão da mídia, o jejum de 60 anos e a ansiedade dos jogadores criam um "medo de vencer". Times ingleses atacam na Premier League, mas a seleção se encolhe em jogos decisivos. A troca de técnicos não resolve enquanto a mentalidade não mudar.

Qual foi a estatística mais chocante da eliminação?

A Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola entre o gol de Gordon e o empate argentino. É a menor posse da história da seleção em jogos de mata-mata de Copa. Em 25 minutos, o time tocou na bola por apenas 3 minutos.

O que Carragher disse sobre Tuchel?

Carragher escreveu no The Telegraph que "Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez". Ele criticou a postura defensiva excessiva e lembrou que o time ficou com 12% de posse de bola após o gol.

A Inglaterra consegue mudar essa cultura?

Sim, mas não será fácil. Precisa de uma mudança na formação de jogadores, na abordagem da mídia e na mentalidade dos atletas. Enquanto a seleção for vista como "peso" em vez de "orgulho", o padrão de fracasso vai se repetir. 1966 foi há muito tempo. Hora de virar a chave.


Equipe-se para jogar

Como Associado da Amazon, eu recebo por compras qualificadas.

Receba as novidades de Resenha Esportiva

As melhores publicações direto no seu e-mail. Sem spam.