Inglaterra eliminada em semifinal de Copa: Tuchel repete erro de Southgate e Carragher detona
Inglaterra eliminada em uma semifinal de Copa do Mundo. De novo. E o roteiro é tão repetido que já dá para decorar: sai na frente, toma sufoco, recua, toma virada, volta pra casa. Dessa vez, a vítima foi a Argentina, em uma semifinal que deveria ser o palco da redenção inglesa. Mas não. Thomas Tuchel, contratado para evitar repetição de erros, fez exatamente o que Gareth Southgate fez no passado: colocou o time na retranca depois de sair na frente e viu o jogo escorrer pelos dedos. E agora, a pergunta que não quer calar: Tuchel fez uma besteira maior do que Southgate?
A resposta, baseada nos fatos, é um sonoro SIM. E não sou eu quem diz. É Jamie Carragher. O ex-zagueiro e hoje comentarista detonou o alemão em uma coluna no The Telegraph com um título arrasador: "Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez". E os números da semifinal contra a Argentina provam que o problema não é o técnico — é a camisa. É a cultura. É o medo de vencer que assombra a seleção inglesa desde 1966.
1. Tuchel x Southgate: quem errou mais?
Vamos comparar. Southgate, no passado, viu a Inglaterra abrir o placar em semifinais e quartas de final. O que ele fez? Recuou. O time parou de jogar, o adversário cresceu, empatou e virou. Southgate sempre foi acusado de ser conservador demais, de não saber administrar vantagens.
Agora, Tuchel. O cara que ganhou a Champions com o Chelsea em 2021, que foi contratado justamente para ser a "solução" — o técnico que não teria medo de atacar. E o que ele fez na semifinal? Exatamente a mesma besteira. A Inglaterra abriu o placar com Anthony Gordon aos 10 minutos do segundo tempo. Era o momento de pressionar, de matar o jogo. Tuchel, no entanto, entrou em modo "sobrevivência". Aos 27 minutos do segundo tempo, ele tirou Gordon e Reece James para colocar Ezri Konsa e Dan Burn. Dois zagueiros. Em uma semifinal de Copa.
O pior? Tuchel tinha um elenco forte. Ele tinha armas para matar o jogo. E preferiu se esconder. Por isso, sim: o erro de Tuchel foi maior. Ele não tem a desculpa de elenco limitado que Southgate tinha. Para entender o contraste, vale dar uma olhada em como a França lidera o ranking das seleções mais valiosas da Copa 2026 — enquanto a Inglaterra, com cifras astronômicas, patina na hora H.
2. O jogo que expôs tudo: Inglaterra 1x2 Argentina
O jogo expôs a dificuldade da Inglaterra em administrar vantagens. A Argentina dominou a posse de bola desde o início. Mas a Inglaterra, com um contra-ataque mortal, conseguiu abrir o placar. Gordon, aos 10 do segundo tempo, aproveitou um passe e colocou a Inglaterra na frente.
Deveria ser o momento de virada de chave. De confiança. Mas não. O que se viu foi um time que, literalmente, parou de jogar. Entre o gol da Inglaterra e o empate argentino, a Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola. Doze por cento. É um número tão ridículo que parece erro de digitação. Mas é real.
A Argentina, claro, pressionou. E empatou e virou. A Inglaterra não teve forças para reagir. O time que sonhava com o título foi eliminado por um adversário que simplesmente quis mais.
3. As substituições defensivas de Tuchel que custaram a vaga
Aos 27 minutos do segundo tempo, Tuchel fez a substituição que virou símbolo do fracasso. Tirou Gordon (autor do gol) e Reece James (que estava bem), colocou Ezri Konsa e Dan Burn. Dois zagueiros. O time, que já estava recuado, virou uma muralha.
Só que a muralha caiu. A Argentina, com mais liberdade no meio, começou a trocar passes na entrada da área. A Inglaterra perdeu qualquer capacidade de contra-ataque. Sem Gordon, sem velocidade, sem referência ofensiva, o time ficou refém da defesa. E defesa que só se defende, uma hora toma gol.
Carragher foi cirúrgico: "Tuchel repetiu Southgate". E pior: "Tuchel tinha mais recursos ofensivos e mesmo assim recuou". É a prova de que o problema é sistêmico. O técnico pode ser alemão, pode ter DNA ofensivo, mas a camisa da Inglaterra pesa. E pesa para o lado errado.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, o México mostrou como se faz. Na estreia da Copa, como destaca a análise do México com equilíbrio tático e brilho de Quiñones, Lira e Jiménez, o time não se encolheu. Pelo contrário: foi pra cima.
4. O padrão de fracasso da Inglaterra em Copas
Não é de hoje. A Inglaterra é eliminada em semifinais ou quartas de final com o mesmo roteiro: sai na frente, recua, toma virada. Em 2018, contra a Croácia, na prorrogação. Em 2022, contra a França, nos detalhes. E agora, em 2026, contra a Argentina, com 12% de posse.
É uma cultura de "medo de vencer". Os jogadores ingleses crescem na Premier League, a liga mais competitiva do mundo, onde times como Manchester City e Liverpool atacam até o apito final. Mas quando vestem a camisa da seleção, parece que um interruptor desliga. Eles se encolhem. Ficam preocupados em não perder, em vez de ganhar.
A FA (Football Association) já trocou de técnico: Capello, Hodgson, Southgate, Tuchel. O resultado é o mesmo. O problema não é o homem no banco. É a mentalidade. É a pressão da mídia. É a torcida que, em vez de empurrar, gera ansiedade. É a história de 60 anos sem títulos que vira uma sombra.
5. 12% de posse de bola: um recorde negativo
Vamos aos números. Entre o gol de Gordon (10 min do 2º tempo) e o empate argentino, a Inglaterra teve 12% de posse de bola. Isso significa que, em 25 minutos, o time tocou na bola por apenas 3 minutos. O resto foi correr atrás.
Para efeito de comparação, a pior posse de bola da Inglaterra em jogos de mata-mata de Copa até então era de 35%, contra a Croácia em 2018. Agora, o recorde é ainda mais negativo. E não é porque a Argentina é uma máquina de posse. É porque a Inglaterra abdicou de jogar.
Nesse período, a Argentina finalizou muitas vezes. A Inglaterra, poucas. É um time que desistiu de atacar. Que preferiu se defender desorganizadamente. E, como diria um velho sábio do futebol, "quem não faz, leva".
6. Carragher detona Tuchel: 'pior que Southgate'
Jamie Carragher não é de meias palavras. Na coluna do The Telegraph, ele escreveu: "Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez". E explicou: "Entre o gol da Inglaterra e o empate da Argentina, ficamos com apenas 12% de posse de bola. Não dá para entrar em modo de sobrevivência tão cedo e esperar que as probabilidades estejam a nosso favor."
Carragher ainda cutucou: "Southgate ao menos tinha desculpa de elenco limitado. Tuchel não. Ele tinha um elenco forte. E escolheu recuar." A crítica é justa. Tuchel foi contratado para ser a antítese de Southgate, para trazer ousadia. E, no momento decisivo, virou o próprio Southgate.
7. O problema é cultural, não técnico
A troca de técnicos não resolve. É like trocar o pneu de um carro que está com o motor fundido. A Inglaterra precisa de uma revolução cultural. Precisa de jogadores que, ao vestir a camisa, sintam orgulho, não medo. Que ataquem como atacam em seus clubes. Que não se encolham diante de um placar favorável.
A Premier League é a vitrine do futebol mundial. Mas a seleção inglesa é a antítese disso: medrosa, burocrática, previsível. Enquanto não houver uma mudança de mentalidade — desde as categorias de base até a imprensa —, a Inglaterra continuará sendo a "eterna promessa".
E, convenhamos: 1966 foi há 60 anos. Não dá mais para esperar.
Como aponta a TV Copa, a diferença entre seleções que vencem e as que fracassam muitas vezes está entre os ouvidos, não entre os pés.
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Perguntas frequentes
Tuchel realmente errou mais que Southgate?
Sim. Tuchel tinha um elenco forte e um histórico de ousadia no Chelsea. Mas, na semifinal, repetiu o erro de Southgate: recuou após sair na frente. A diferença é que Southgate tinha desculpas (elenco limitado). Tuchel, não. Por isso, o erro dele é considerado maior.
Por que a Inglaterra sempre fracassa em Copas?
O problema é cultural. A pressão da mídia, o jejum de 60 anos e a ansiedade dos jogadores criam um "medo de vencer". Times ingleses atacam na Premier League, mas a seleção se encolhe em jogos decisivos. A troca de técnicos não resolve enquanto a mentalidade não mudar.
Qual foi a estatística mais chocante da eliminação?
A Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola entre o gol de Gordon e o empate argentino. É a menor posse da história da seleção em jogos de mata-mata de Copa. Em 25 minutos, o time tocou na bola por apenas 3 minutos.
O que Carragher disse sobre Tuchel?
Carragher escreveu no The Telegraph que "Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez". Ele criticou a postura defensiva excessiva e lembrou que o time ficou com 12% de posse de bola após o gol.
A Inglaterra consegue mudar essa cultura?
Sim, mas não será fácil. Precisa de uma mudança na formação de jogadores, na abordagem da mídia e na mentalidade dos atletas. Enquanto a seleção for vista como "peso" em vez de "orgulho", o padrão de fracasso vai se repetir. 1966 foi há muito tempo. Hora de virar a chave.
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