Por que o ciclo 2026 é considerado o pior da história da Seleção Brasileira?
O ciclo da Seleção Brasileira para a Copa de 2026 termina não com um grito de “é campeão”, mas com um suspiro de alívio misturado com vergonha alheia. A eliminação nas oitavas de final para a Noruega não foi um acidente de percurso. Foi o retrato de um projeto desgovernado, repleto de recordes negativos da Seleção Brasileira no ciclo 2026 que vão doer na memória do torcedor por décadas.
Estamos falando de um time que, em quatro anos, teve quatro treinadores, convocou 96 jogadores (um recorde de instabilidade) e acumulou um aproveitamento pífio de 54,9%. Para efeito de comparação, times como Japão e Marrocos tiveram campanhas mais regulares. O Brasil, que um dia foi sinônimo de favoritismo, terminou o ciclo na modesta 39ª posição geral entre as 48 seleções classificadas. É para bater o martelo e perguntar: cadê o projeto, CBF? Quer entender melhor o que deu errado na fase eliminatória? Leia também nossa análise das oitavas de final da Copa do Mundo 2026.
A eliminação precoce na Copa do Mundo não foi o ponto de partida, foi a cereja podre do bolo. Ela apenas confirmou o que os resultados nas Eliminatórias e na Copa América já gritavam: a Seleção perdeu o rumo. E o pior: não parece ter pressa para encontrar.
Qual foi a pior campanha da Seleção em Eliminatórias?
Se você acha que já viu de tudo do Brasil nas Eliminatórias, prepare-se: o que aconteceu no ciclo para 2026 é inédito e vergonhoso. A Seleção terminou em quinto lugar, com apenas 28 pontos em 18 jogos. Foram seis derrotas e 17 gols sofridos. É a pior campanha da história no atual formato.
Os números são impiedosos:
- 28 pontos em 18 jogos: o pior desde a adoção do sistema de pontos corridos.
- Derrota por 4 a 1 para a Argentina em Buenos Aires: uma humilhação histórica no Monumental de Núñez.
- Primeira derrota em casa para a Argentina nas Eliminatórias: o algoz agora bate à vontade no Maracanã.
- Primeira derrota para a Colômbia em Barranquilla: um tabu que caiu com estilo.
- Derrota para o Uruguai após mais de duas décadas: a Celeste Olímpica voltou a assombrar.
A defesa, que um dia foi orgulho nacional, virou peneira. A dependência de Neymar, lesionado em metade dos jogos, expôs a falta de um plano B. E o plano A, francamente, também não funcionava.
Como a eliminação para a Noruega nas oitavas de final se tornou um recorde negativo?
A frase “Brasil eliminado nas oitavas pela Noruega” vai ecoar por muito tempo nos bares e nas rodas de discussão. Desde 1990, quando caiu para a Argentina nas oitavas, o Brasil não amargava uma eliminação tão precoce em Copas do Mundo. E olha que em 1990 o time era contestado, mas pelo menos perdeu para um gigante.
A Noruega, na ocasião, era a típica zebra de meio de tabela. Ranking FIFA abaixo do 20º lugar, sem grandes estrelas além de Haaland (que, convenhamos, não fez uma Copa genial). Ainda assim, venceu o Brasil por 2 a 1 com uma atuação apática da Canarinho. Vinícius Júnior e Rodrygo, as grandes esperanças ofensivas, simplesmente não existiram em campo. Não houve reação tática, não houve garra, não houve nada.
A eliminação não foi um acaso. Foi a conclusão lógica de um time sem identidade, que entrava em campo sem saber se era posse de bola, transição ou retranca. O resultado: a maior vergonha em Copas desde o “Maracanazo” de 1950. E olha que naquela época ao menos o time chegou na final.
Por que a troca constante de treinadores prejudicou o ciclo?
Se tem uma coisa que a CBF faz bem é queimar técnicos. No ciclo 2026, foram quatro treinadores em menos de quatro anos. Cada um com uma filosofia, cada um com um elenco diferente. O resultado? Um time sem cara, sem padrão e sem confiança.
- Ramon Menezes: assumiu interinamente após a saída de Tite. Não conseguiu engrenar e virou ponte para o próximo.
- Fernando Diniz: o “professor do caos” trouxe confusão tática e resultados inconsistentes. O time não sabia se atacava ou se defendia.
- Dorival Júnior: chegou em 2024 com moral, mas não teve tempo nem respaldo para implementar um padrão de jogo. Saiu queimado.
- Carlo Ancelotti: anunciado para 2030, mas sem comando efetivo no ciclo. Sua sombra pairou sobre o elenco, gerando descompromisso e incerteza.
A CBF demorou a definir um projeto de longo prazo e, quando o fez, priorizou o nome de mercado em vez de um planejamento sólido. Técnico não é caneta, é maestro. Sem partitura, a orquestra desafina. Djalminha, por exemplo, já tinha avisado: ele não acredita em favoritismo do Brasil na Copa do Mundo 2026. E não é que ele tinha razão?
O jejum de títulos é o maior da história?
Sim, e o dado é assustador. O Brasil não vence a Copa do Mundo desde 2002. São 24 anos de jejum. Para um país que respira futebol, isso é uma eternidade. O último título da Copa América foi em 2019. Desde então, nem isso. Perdeu a final para a Argentina em 2021 e, de lá para cá, só acumulou fiascos.
Para comparar: nos anos 1990, o Brasil venceu duas Copas do Mundo (1994 e 2002) e uma Copa América (1999). Nos anos 2000, ainda levou a Copa das Confederações e a Copa América de 2007. O atual jejum é o maior absoluto desde a conquista do pentacampeonato.
A geração de 2026, que deveria ser a renovação, não conseguiu nem chegar perto de um título. E o pior: a próxima geração, com Estêvão, Rayan e Endrick, ainda é uma promessa. Promessa não ganha Copa. Enquanto isso, a França lidera o ranking das seleções mais valiosas da Copa do Mundo de 2026, e o Brasil aparece em segundo — valor de mercado que não se traduziu em resultado.
Qual o papel da CBF nesse cenário de recordes negativos?
A CBF é a grande vilã dessa história. A gestão amadora, marcada por trocas de técnico sem planejamento e interferência política, transformou a Seleção em um cabide de empregos. A falta de investimento em categorias de base e em um centro de treinamento moderno é gritante. Enquanto a Alemanha reformulou seu futebol após 2014, o Brasil seguiu na mesmice.
O calendário inchado do futebol brasileiro também contribui. Jogadores chegam à Seleção desgastados, sem tempo para treinar e assimilar conceitos táticos. A ausência de um diretor técnico que coordene a filosofia de jogo desde a base até a principal é uma lacuna que não se resolve com um nome de peso no comando.
A CBF precisa entender que futebol não se faz com improviso. Se não houver uma reforma estrutural, o ciclo 2030 será apenas uma repetição do desastre de 2026. Como aponta a TV Copa, a análise dos bastidores revela que a falta de planejamento é crônica.
O que esperar para o ciclo 2030 com Carlo Ancelotti?
Ancelotti é, sem dúvida, um dos maiores técnicos da história. Mas ele chegará à Copa de 2030 com 71 anos. A idade, por si só, não é um problema, mas a pressão por resultados imediatos pode minar qualquer trabalho de longo prazo. Além disso, o técnico italiano dependerá de uma reformulação estrutural que a CBF ainda não começou.
A base atual é promissora, mas carece de um novo camisa 10 e de laterais de alto nível. A renovação com jovens como Estêvão, Rayan e Endrick é o caminho, mas sem um projeto tático claro, eles podem se perder no meio do caminho.
Se a CBF não mudar sua gestão, se não investir em base, se não criar um centro de treinamento de ponta e se não definir uma filosofia de jogo, o ciclo 2030 será apenas mais um capítulo de frustração. Ancelotti pode ser o maestro, mas sem orquestra, não tem concerto.
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Perguntas frequentes
Qual foi o aproveitamento da Seleção Brasileira no ciclo 2026? O aproveitamento foi de 54,9%, com 17 vitórias, 10 empates e 10 derrotas.
Quantos treinadores a Seleção teve no ciclo 2026? Quatro treinadores: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti (anunciado para 2030).
Qual foi a pior derrota do Brasil nas Eliminatórias para 2026? A goleada de 4 a 1 para a Argentina em Buenos Aires, além da primeira derrota em casa para os hermanos nas Eliminatórias.
Quantos jogadores foram convocados no ciclo? 96 jogadores, um recorde de instabilidade no elenco.
O Brasil tem chance de título em 2030? Depende de uma reformulação estrutural na CBF. Sem mudanças na gestão, o jejum pode continuar.
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