O Flamengo perdeu a paciência. E não foi pouco. Na sexta-feira, um dia depois do empate em 2 a 2 com o Santos na Vila Belmiro, o clube soltou uma nota oficial duríssima contra a arbitragem de Anderson Daronco e do VAR Rodolpho Toski Marques. É a crítica mais direta do Flamengo à arbitragem nesta temporada, com direito a "erros graves", "falta de critério" e "ausência de autoridade" no texto. Palavras escolhidas a dedo, publicadas num momento que, convenhamos, não tem nada de casual.
A pergunta que fica não é se o Flamengo tem razão em reclamar. É se a reclamação é só legítima, ou se também é calculada. Porque uma coisa não anula a outra. E é nesse meio-campo que a gente precisa andar sem cair na torcida cega nem no ceticismo automático.
O que aconteceu: o empate contra o Santos e a nota oficial do Flamengo
O jogo era válido pela 29ª rodada do Brasileirão. O Flamengo abriu 2 a 0 no primeiro tempo, com gols de Danilo e Paquetá, e parecia ter o controle da partida. Neymar descontou duas vezes de pênalti e empatou. No meio disso tudo, uma sequência de decisões que o clube classificou como absurdas.
A nota oficial do Flamengo arbitragem não economizou:
- Barreal acertou Carrascal com uma entrada que, segundo o clube, "em qualquer campeonato do mundo resultaria em expulsão". Daronco deu amarelo. O VAR nem chamou para revisar.
- Um toque de braço de Jorginho, sem movimento deliberado, virou pênalti e expulsão depois de uma intervenção do VAR que o Flamengo chama de "desastrosa".
- O segundo pênalti do Santos nasceu de uma falta que, nas palavras do clube, "simplesmente não existiu".
A paralisação para avaliar o lance de Jorginho durou 9 minutos e 56 segundos. Recorde de interrupção em lances com VAR na história do Brasileirão. Nove minutos e cinquenta e seis segundos. Dá tempo de fazer um café, assistir a um episódio de série e voltar pro sofá.
A torcida reagiu na hora, como sempre. A imprensa esportiva se dividiu entre quem viu exagero na nota e quem reconheceu que os erros foram gritantes. O que está em jogo aqui não é só um resultado. É a relação do Flamengo com a arbitragem em uma temporada inteira. Aliás, esse tipo de desgaste institucional já rendeu dor de cabeça parecida em outras paradas, como mostrou a novela do De La Cruz no Flamengo: a decepção que expõe o modelo de contratação do clube.
Os 'erros graves' apontados: dissecação lance a lance
Vamos aos fatos, porque opinião sem fato é só barulho.
O lance de Barreal sobre Carrascal. Entrada dura, contato claro, e o critério que o próprio Flamengo cobra: se é vermelho em qualquer lugar do mundo, por que não foi aqui? Daronco aplicou amarelo. O VAR, chefiado por Toski, não recomendou revisão. Isso, por si só, já justificaria a irritação.
O pênalti que expulsou Jorginho. O clube alega toque de braço involuntário. A regra é clara sobre movimento deliberado. Se não houve intenção, não é pênalti. E se não é pênalti, a expulsão cai junto. A demora de quase 10 minutos para decidir expõe, no mínimo, insegurança. O próprio Flamengo resumiu: "a demora expôs a insegurança da arbitragem".
O segundo pênalti. Aqui o clube é categórico: a falta que originou a jogada não existiu. As imagens, segundo a nota, comprovam o erro. Se comprovam, é erro grave. Ponto.
Agora, a parte que ninguém gosta de encarar: erros existem em todo jogo. A questão é se esses erros têm um padrão. E é aí que os números entram.
Os números que o Flamengo usa (e os que ele esquece): 7 expulsões, 17º em faltas, líder em bola rolando
O Flamengo acumula sete expulsões em 29 jogos. É o segundo clube com mais cartões vermelhos na competição. Ao mesmo tempo, ocupa a 17ª posição no ranking de faltas cometidas. Ou seja: o time falta pouco, mas é expulso muito. Isso deveria acender um alerta.
Duas leituras possíveis:
- O Flamengo é perseguido pela arbitragem, que marca com rigor excessivo lances do clube.
- O Flamengo reclama demais, pressiona demais, e isso volta contra ele em forma de cartão.
Nenhuma das duas é confortável. E a verdade pode estar nas duas.
O clube também lidera a média de tempo de bola rolando. Isso significa que o Flamengo joga mais tempo com a bola no chão, o que naturalmente aumenta a exposição a lances de contato. Mais posse, mais disputa, mais chance de erro de interpretação.
A armadilha estatística é clássica: correlação não é causalidade. Mas quando o padrão se repete, a gente precisa, no mínimo, olhar com atenção. E o histórico de Daronco com o Flamengo não é exatamente tranquilo.
O timing da escalação de Daronco para Palmeiras x Corinthians: coincidência ou recado?
Aqui a coisa fica interessante. Daronco e Toski foram escalados para Palmeiras x Corinthians, pela 30ª rodada, no domingo seguinte. O anúncio saiu logo depois do empate contra o Santos. E o Flamengo, na nota, questionou justamente isso: a manutenção da mesma equipe de arbitragem para um clássico decisivo.
O jogo interessa diretamente ao Flamengo na tabela. Palmeiras e Corinthians são concorrentes diretos ou indiretos. Uma arbitragem polêmica ali mexe com os interesses do clube carioca.
A leitura política é quase inevitável: a nota oficial funciona como pressão preventiva. "Olhem, estamos de olho. Não repitam os erros." É uma forma de expor a insatisfação antes que o próximo jogo aconteça. E é uma jogada inteligente. Arriscada, mas inteligente.
O que o Flamengo ganha com isso? Visibilidade. Coloca a arbitragem sob os holofotes. E, se algo der errado no clássico, a CBF já sabe que tem um dedo apontado na sua direção.
Reclamação legítima ou pressão calculada? A argumentação encadeada
Vamos por partes.
Premissa 1: os erros apontados são reais e verificáveis? Sim. O lance de Barreal, o pênalti de Jorginho e a falta inexistente no segundo pênalti são fatos. Não é choro.
Premissa 2: o Flamengo tem sido prejudicado de forma sistemática? Aí a resposta é menos óbvia. Sete expulsões em 29 jogos é um número alto. Mas o time também tem um histórico de reclamação intensa. Erros pontuais ou perseguição? Difícil cravar.
Premissa 3: o timing da nota sugere intenção de influenciar a arbitragem futura? Sem dúvida. A menção à escalação de Daronco para Palmeiras x Corinthians não é acidental. É recado.
Conclusão: é possível que ambas as coisas sejam verdade. A nota é legítima nos erros, mas calculada no momento. O Flamengo acertou ao expor? Depende do que vem depois. O risco é o desgaste com a arbitragem e um possível efeito contrário em decisões futuras. Ninguém gosta de ser pressionado publicamente. É mais ou menos como o Cruzeiro x Flamengo: o jogo de ida no Mineirão é a maior armadilha da noite: fora das quatro linhas também se joga, e muito.
O que esperar daqui para frente: consequências para o Flamengo e para a arbitragem
Os desdobramentos podem incluir desde uma sindicância interna na CBF até mudanças na escala de árbitros. A resposta da entidade vai dizer muito sobre como o caso será tratado.
No vestiário, a nota pode ter dois efeitos: unir o grupo em torno de uma causa comum ou criar uma tensão extra que atrapalhe o foco. O Flamengo segue na disputa pelo título. Qualquer distração pesa. E num returno apertado, cada ponto vale, do mesmo jeito que o Santos tem a obrigação de tentar a virada contra o Palmeiras, mesmo com 3 a 0 no placar mostrou que ninguém entrega nada de graça.
A arbitragem brasileira, como sempre, fica sob pressão. O caso Daronco é um termômetro. Se a CBF não se manifestar, o recado é claro: cada clube que se vire com seus problemas. Quem acompanha o calendário de perto, como faz a TV Copa, sabe que essas polêmicas costumam voltar na próxima rodada.
Para o torcedor, o recado é simples: acompanhe os próximos jogos com olhar crítico, mas sem cair na narrativa única. Erros acontecem. Padrões, quando existem, precisam ser cobrados com fatos, não com paixão.
O Flamengo acertou ao expor? Depende. Se a arbitragem melhorar, sim. Se o time perder o foco e a pressão virar perseguição, não.
Perguntas frequentes
O que o Flamengo criticou na nota oficial? O clube apontou erros graves de Anderson Daronco e do VAR Rodolpho Toski Marques no empate por 2 a 2 com o Santos, incluindo um lance de Barreal sobre Carrascal que deveria ser expulsão, um pênalti que expulsou Jorginho e um pênalti inexistente para o Santos.
Quantas expulsões o Flamengo tem no Brasileirão? Sete expulsões em 29 jogos. O clube é o segundo com mais cartões vermelhos na competição.
O que significa a paralisação de 9 minutos e 56 segundos? Foi o recorde de interrupção em um lance com VAR na história do Brasileirão. O Flamengo usou o número para criticar a insegurança da arbitragem.
Por que a escalação de Daronco para Palmeiras x Corinthians gerou polêmica? Porque a mesma equipe de arbitragem do jogo contra o Santos foi escalada para um clássico decisivo para os interesses do Flamengo na tabela, logo após a polêmica.
O Flamengo tem razão em reclamar? Nos lances específicos, sim. Os erros são verificáveis. Mas o timing da nota sugere também uma estratégia de pressão sobre a arbitragem antes de um jogo importante para rivais.
Equipe-se para jogar
- Bola de futebol oficial, do jogo de fim de semana ao treino sério.
- Chuteiras society, as mais vendidas da Amazon.
- Camisa da Seleção Brasileira, para torcer vestido a caráter.
Como Associado da Amazon, eu recebo por compras qualificadas.