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O Maracanã vai receber dois times pensando na quarta-feira

O Maracanã vai receber dois times pensando na quarta-feira

Às 16h30 deste sábado, o Maracanã vai receber o líder do Campeonato Brasileiro e um dos times do G-4. No papel, é jogo grande. Na cabeça dos dois vestiários, é quarta-feira.

O Fluminense empatou em 0 a 0 com o Independiente Rivadavia no próprio Maracanã, na ida das oitavas da Libertadores, e a volta define a temporada tricolor. O Palmeiras ficou no 1 a 1 com o Cerro Porteño no Nubank Parque e precisa vencer na Nueva Olla, em Assunção, se quiser evitar os pênaltis. Os dois jogam a vida em quatro dias. E os dois vão a campo hoje.

O time que trocou de treinador na véspera

O Fluminense chega ao clássico da rodada com Marcão no comando, pela décima vez na história do clube. A diretoria demitiu Luis Zubeldía depois de uma sequência de oito jogos sem vencer, e o auxiliar fixo assume com a missão de segurar o time no G-4.

O número que explica a demissão não é a sequência: são os gols. O Fluminense marcou dois em cinco partidas. Um time com Ganso, Hulk, Canobbio e Soteldo à disposição produzindo isso não tem problema de elenco, tem problema de ideia.

Marcão deve montar uma escalação misturando titulares e reservas, o que é a definição honesta de um time que não sabe qual dos dois jogos é o mais importante. Desfalque de John Kennedy, Freytes e Matheus Reis por lesão, e Ignácio suspenso.

Trocar de técnico às vésperas de uma decisão continental é a coisa mais brasileira que existe. Funciona? Às vezes. O choque de comando tem efeito de curtíssimo prazo documentado em qualquer liga. Mas ninguém troca de treinador na véspera de um mata-mata porque tem um plano. Troca porque acabou a paciência.

O líder que não vence há três jogos

O Palmeiras tem 48 pontos e seis de vantagem sobre o Flamengo, que tem um jogo a menos. Se vencer hoje e o Flamengo tropeçar contra o Mirassol no domingo, a folga pode chegar a nove.

Mas o Verdão acumula três jogos sem vencer, contando a Copa do Brasil. Tropeçou em casa com o Internacional, empatou em casa com o Cerro Porteño e perdeu por 3 a 2 para o Fortaleza no jogo de volta das oitavas da Copa do Brasil, um resultado que não eliminou porque a ida em casa tinha sido 3 a 0.

Abel Ferreira foi honesto no diagnóstico. Segundo o técnico, o problema não está apenas na falta de resultados, mas na falta de inspiração e eficácia. "Não vencemos porque a eficácia não foi boa pelas oportunidades. Não foi dia, mas ele vai sair na hora certa", disse.

É o discurso de quem acredita que o time está criando e não convertendo. Se estiver certo, a solução é tempo. Se estiver errado, é o tipo de leitura que custa uma temporada.

A decisão de não poupar

Aqui está o ponto que interessa. Abel avisou que não dará preferência a nenhuma competição e que só deve tirar jogadores com problema físico. O Palmeiras viajou com o que tem de melhor, com as exceções de Barboza, Paulinho, Khellven e Jefté. Gustavo Gómez e Bruno Fuchs, recuperados, voltam. Andreas Pereira, que foi desfalque contra o Cerro, começa jogando.

A decisão é defensável e é a menos ruim das disponíveis, ainda que carregue um risco óbvio.

É defensável porque um time em crise de confiança não se recupera assistindo. Três jogos sem vencer não se resolve poupando os titulares e mandando o time B ao Maracanã para tomar mais um resultado ruim. O que Abel precisa levar para Assunção não é perna descansada, é a sensação de que o time voltou a funcionar.

É arriscada porque o Maracanã em agosto, contra um time pressionado que acabou de trocar de treinador, é o tipo de jogo que castiga. E porque a Nueva Olla na quarta não perdoa quem chegar com noventa minutos de desgaste extra nas pernas.

A saída que o próprio Abel deixou aberta é a mais inteligente: dependendo do resultado, o segundo tempo vira laboratório, com Lucas Evangelista e Emiliano Martínez entre as opções para a vaga do camisa 8. Ou seja, joga com tudo enquanto o jogo estiver aberto e administra quando ele fechar.

O detalhe que dá sabor

Jhon Arias enfrenta o Fluminense pela primeira vez no Maracanã desde que deixou o clube, em 2025. Não muda a tática de ninguém, mas muda a temperatura da arquibancada, e essas coisas costumam pesar mais do que se admite.

O que a rodada revela sobre o calendário

O problema maior não é de Abel nem de Marcão. É estrutural.

Uma rodada de Campeonato Brasileiro encaixada entre a ida e a volta das oitavas da Libertadores transforma o torneio nacional em intervalo. Não é que os clubes desrespeitem o Brasileirão: é que o calendário não deixa alternativa. Quando a competição mais longa do país vira o espaço entre dois jogos de mata-mata, o campeonato de pontos corridos passa a ser decidido pela agenda de quem joga o quê e quando.

O torcedor que comprou o Premiere para ver Fluminense e Palmeiras vai assistir a um jogo entre dois times que precisam ganhar, é verdade. Mas nenhum dos dois vai deitar o corpo em campo do jeito que deitaria se quarta-feira não existisse. E ninguém pode culpá-los por isso.

O campeonato que se decide assim já não é exatamente o mesmo que começou em abril.

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