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O São Paulo está mais perto do time que acabou de sair do Z4 do que do G4 — e isso não é força de expressão

O São Paulo está mais perto do time que acabou de sair do Z4 do que do G4 — e isso não é força de expressão

Tem uma frase que todo torcedor do São Paulo ouviu esta semana e que já não serve mais: "é uma fase ruim". Oito jogos. Cinco derrotas, três empates. Zero vitórias. Isso deixou de ser fase faz tempo — virou identidade.

A derrota de sábado para o Grêmio, por 2 a 1, de virada, na Arena, pela 22ª rodada, apenas colocou o número redondo na conta. O Tricolor está em 12º, com 26 pontos. O Grêmio, que acabou de sair da zona de rebaixamento com essa vitória, tem 25.

Um ponto. É essa a distância entre o São Paulo e o time que passou as últimas semanas no Z4.

O jogo foi pior que o placar sugere

Não foi um daqueles casos de "dominou e perdeu". O Grêmio começou pressionando, criou a primeira chance aos cinco minutos com Jovane Cabral e obrigou Rafael a trabalhar antes de o São Paulo respirar.

O Tricolor até abriu o placar no fim do primeiro tempo, numa jogada que nasceu de erro gremista na saída de bola — Pablo Maia recuperou, Wendell lançou, Luciano cruzou, e a bola acabou nas redes depois de rebote de Weverton. Vantagem construída sobre falha adversária, não sobre construção própria. Guarde isso.

No segundo tempo, o Grêmio empatou em escanteio, com Wallace de cabeça, e virou aos 40 com Pavón, em cobrança de falta da entrada da área que passou pela barreira aberta. Nos acréscimos, Lucas Ramon ainda acertou a trave e Bobadilla parou em Weverton. Faltou pouco para o empate, é verdade. Mas faltar pouco pela oitava vez seguida é o próprio diagnóstico.

O problema não é o resultado, é o padrão

Cinco derrotas e três empates em oito jogos produzem oito pontos perdidos em cima da média de um time que briga por Libertadores. Mas o que assusta mais na sequência não é a aritmética — é a repetição do roteiro.

O São Paulo tem conseguido:

  • Sair na frente com alguma frequência, quase sempre em jogadas de bola parada ou aproveitamento de erro alheio.
  • Perder o controle logo no início do segundo tempo, quando o adversário sobe a linha.
  • Sofrer em bola parada defensiva — o empate gremista veio exatamente daí.
  • Terminar pressionando de forma desorganizada, com bolas na área, e transformar isso em narrativa de "quase".

Time em crise que perde de goleada tem um problema claro e, por isso mesmo, endereçável. Time que perde assim, por detalhes que se repetem toda semana, tem um problema de estrutura — e esse é bem mais difícil de resolver com uma preleção.

A tabela é mais cruel do que a posição indica

Olhar só para o "12º lugar" engana, porque a parte de baixo do Brasileirão 2026 está comprimida. O Grêmio saiu do Z4 com 25 pontos. O São Paulo tem 26. Não existe colchão. Existe uma sequência de times separados por um ou dois resultados.

Isso muda a natureza dos próximos jogos. Cada partida contra um adversário da metade de baixo deixa de ser "chance de subir na tabela" e vira confronto direto — daqueles em que o empate serve mais ao outro.

E há um agravante que ninguém do Morumbis quer verbalizar: o calendário. O São Paulo segue vivo na Sul-Americana, o que costuma ser tratado como alívio ("temos outra frente"), mas é também mais desgaste para um elenco que já não está sustentando 90 minutos no Brasileirão.

Não é só o São Paulo — e é por isso que o Z4 subiu de endereço

Vale registrar que o sábado teve outro dado incômodo para a elite do futebol brasileiro. No Nilton Santos, Botafogo e Fluminense empataram por 1 a 1 — gol de Alex Telles em cobrança de falta e empate de Ignácio, de cabeça, no segundo tempo.

Com isso, o Fluminense chegou ao sexto jogo consecutivo sem vencer no Brasileirão (sete considerando todas as competições). Segue em 4º, com 35 pontos, mas pode deixar o G4 no fim da rodada — o Bahia, com 32, ultrapassa em caso de vitória sobre o Vasco por dois gols de diferença. O Botafogo ficou em 7º, com 30.

Enquanto isso, na ponta, o Palmeiras administra 47 pontos.

O que esses números desenham é um campeonato de dois andares: um líder disparado e um pelotão de clubes grandes patinando em sequências longas sem vitória. Fluminense, seis. São Paulo, oito. Não é coincidência estatística — é o retrato de um calendário que tritura elencos e de projetos esportivos que apostaram alto em janeiro e chegaram a agosto sem resposta.

O que precisa mudar antes que a conversa mude

O São Paulo ainda tem 26 pontos e não está rebaixado, óbvio. Mas há uma linha que, uma vez cruzada, é difícil de voltar: a linha em que o time deixa de jogar para vencer e passa a jogar para não perder. Quando isso acontece, a diferença de um ponto para o 17º colocado deixa de ser detalhe de tabela e vira ambiente de trabalho.

Três coisas precisam aparecer nas próximas duas rodadas:

  1. Uma vitória construída, não herdada. Ganhar de um adversário direto controlando o jogo, não sobrevivendo a ele.
  2. Consertar o início do segundo tempo. É ali que a sequência vem sendo perdida, jogo após jogo.
  3. Parar de sofrer em bola parada. É o gol que mais se repete contra o time e o mais treinável de todos.

Nenhuma dessas três exige contratação, janela ou milagre. Exige que alguém dentro do clube trate os oito jogos como um problema de método, e não como azar acumulado.

Porque azar não dura oito rodadas. Método ruim, sim.

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